MPF apura possível infração ao ECA em conteúdo exibido pelo programa “Alô Juca”

Foto: Divulgação
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O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades relacionadas à exibição do programa policial Alô Juca, transmitido pela TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia. A medida foi oficializada por meio de portaria assinada pelo procurador da República Leandro Bastos Nunes e publicada no Diário do MPF.  

A apuração tem como foco a utilização de bonecos, personagens e animações em 3D associados ao universo infantil durante a cobertura de crimes e ocorrências policiais exibidas pela atração. Segundo o MPF, a prática pode provocar confusão no público infantojuvenil e levantar questionamentos sobre o cumprimento das normas de classificação indicativa.  

De acordo com o órgão federal, a investigação foi aberta após o recebimento de uma representação que apontou o uso desses elementos visuais em reportagens sobre violência e criminalidade exibidas em horário diurno, entre 11h e 13h55. O MPF busca verificar se a associação entre recursos lúdicos e conteúdos considerados impróprios pode representar violação às regras de proteção previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).  

Na portaria, o Ministério Público destaca que a Constituição Federal garante proteção integral às crianças e adolescentes e determina que esse público seja preservado de conteúdos inadequados. O órgão também ressalta que emissoras de rádio e televisão operam por concessão pública e devem respeitar princípios éticos e sociais relacionados à pessoa e à família.  

O objeto do inquérito é apurar uma suposta irregularidade na exposição de elementos do universo infantil em conteúdos relacionados a crimes, tragédias e ocorrências policiais, situação que, segundo o MPF, pode gerar risco à classificação indicativa e ao público infantojuvenil.  

Com a instauração do procedimento, o MPF poderá solicitar documentos, informações e esclarecimentos aos responsáveis pelo programa e à emissora. A portaria também prevê a reiteração de ofícios enviados anteriormente durante a fase preparatória da investigação.  

O Ministério Público ressalta que a abertura do inquérito não significa que houve irregularidade comprovada. Nesta etapa, o objetivo é reunir elementos e esclarecer os fatos. Ao final da apuração, o caso poderá ser arquivado, resultar em um acordo para adequação do conteúdo ou motivar medidas judiciais e extrajudiciais, caso sejam identificadas violações às normas de proteção à infância e à adolescência.  

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