Taxistas que atuam no Aeroporto Internacional de Salvador ameaçam bloquear os acessos ao terminal em protesto contra a possível retirada de uma placa que delimita a fila do chamado táxi comum na área de embarque e desembarque. A mobilização ocorre após um impasse envolvendo profissionais da categoria, a concessionária responsável pelo aeroporto e a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).
A tensão aumentou após uma tentativa de remoção da sinalização durante a madrugada do último sábado (30). Segundo relatos dos taxistas, funcionários ligados à administração do terminal tentaram retirar a placa instalada recentemente pela Semob, mas foram impedidos pelos profissionais que estavam no local. Após a confusão, a estrutura permaneceu instalada.
A categoria argumenta que a sinalização foi colocada por um órgão municipal responsável pela regulamentação do serviço de táxi em Salvador e, por isso, não deveria ser retirada sem uma definição oficial. Já a concessionária do aeroporto sustenta que qualquer intervenção no meio-fio operacional precisa respeitar as regras previstas na concessão federal e passar pelos alinhamentos necessários com os órgãos competentes.
Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade informou que irá consultar formalmente a Agência Nacional de Aviação Civil sobre o projeto de organização das vagas de embarque e desembarque atualmente em vigor no aeroporto. Segundo a pasta, a medida busca garantir que qualquer alteração operacional respeite os parâmetros regulatórios e ocorra mediante diálogo entre a concessionária e os profissionais do setor.
O conflito acontece em meio à implantação do sistema “Kiss & Fly”, adotado pela administradora do aeroporto para ordenar o fluxo de veículos. O modelo estabelece até 10 minutos de permanência gratuita na área de embarque e desembarque. Após esse período, há cobrança de tarifa. A medida tem sido alvo de críticas de taxistas e motoristas de aplicativo, que consideram o tempo insuficiente em momentos de maior movimento.
Lideranças da categoria afirmam que, caso não haja uma solução para o impasse envolvendo a placa e a organização das filas, novos protestos poderão ocorrer nos próximos dias, incluindo o fechamento dos acessos ao aeroporto. Os taxistas também defendem a abertura de uma negociação envolvendo a Prefeitura de Salvador, a Câmara Municipal e a concessionária responsável pela administração do terminal.
O episódio reacendeu o debate sobre a responsabilidade pela organização dos espaços destinados ao transporte individual no aeroporto, tema que envolve tanto a gestão da concessão aeroportuária quanto a regulamentação municipal do serviço de táxi. Enquanto não há definição, o clima permanece de tensão entre os profissionais e a administração do terminal.